Ruth Brown e os primórdios do rock

As pioneiras do rock sempre caíram pelas tabelas. Enquanto os homens ganharam os louros, as mulheres parecem banidas da história. O sexismo do gênero baixou uma penumbra sobre suas matronas.

Ninguém cantava como Ruth Brown nos anos 50. Ela tinha vozeirão e postura das antigas damas do blues, como Bessie Smith, mas com um nítido acento pop. Tragédia e glória se confundem em sua trajetória.

Ruth Weston nasceu em 1928 na Virgínia e tentou imitar Billie Holiday e Sarah Vaughan. Mas a praia de Ruth estava mais para o rhythm & blues (R&B), ali ó, na fronteira com o que se chamaria rock, ainda sem o apelo midiático.

Começou menor de idade, cantando em boates até ser “raptada” pelo trompetista Jimmy Brown. Nos bares, vivia com um olho na porta, para escapar caso seu pai aparecesse. Ruth Weston era fogo. Foi para Detroit e Washington, onde recebeu elogios de Duke Ellington. De lá, subiu de carro até Nova York e, no caminho, sofreu um terrível acidente. Passou meses no hospital. Saiu para encontrar Ahmet Ertegun e transformar a Atlantic Records na potência da música negra, ao lado de Ray Charles.

Em 1949 chegou às paradas, onde permaneceu por oito anos consecutivos. Em 1950 gravou um clássico: Teardrop from my eyes, de Rudy Tooms. A gravação trazia nada menos que uma lenda do R&B: Vann “pianoman” Walls. De Rudy Tooms, gravou obras sensuais, como 5-10-15 hours e Daddy Daddy. Ruth Brown impregnava as faixas de apelos eróticos, gemidos, suspiros e insinuações.

Nos anos 60 recolheu-se para cuidar dos filhos e só retornou nos anos 70, já com uma pegada jazzística mais madura. Em outubro de 2006, teve um enfarte seguido de derrame. Morreu em 17 de novembro, depois influenciar Etta James, Aretha Franklin, Bonnie Raitt, Tina Turner e Janis Joplin. Sua morte ganhou matérias secundárias, mas todas as cantoras de R&B herdaram um pouco de Ruth Brown. Mesmo sem saber.

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