The Limiñanas: rumo ao passado

 

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A onda de revivals da música pop continua encontrando nichos a serem explorados, conferindo uma aura cult ao que, nos anos 50/60, era abertamente kitsch. Essa febre retrô costuma ser acompanhada de muita pose mas, vez ou outra, garante a diversão.

É o que ocorre com o duo francês The Limiñanas, em evidência porque, prestes a lançar um novo disco em abril (Malamore), divulgou um single com participação de Peter Hook (Joy Division), o baixista que ficou de fora do novo disco do New Order.

A faixa, Garden of love, é simplinha. Traz a guitarra em acordes bem básicos, pontuados pelo típico contraponto pop de Hook ao baixo. Mas o clima retrô é preservado na voz sussurrada de Marie Limiñana, retomando a escola de Jane Birkin, em que a melodia é quase uma fala erotizada.

O despojamento é característica do duo, formado por Marie e Lionel Limiñana. A proposta é recuperar a psicodelia à francesa da escola de Serge Gainsbourg e companheiras, um prolongamento do cenário yé-yé na França, que surgiu após a explosão dos Beatles na Inglaterra. O yé-yé apresentava cantoras ingenuamente sensuais, uma releitura sessentista das pin-ups americanas, com menos voluptuosidade nas curvas e vozes curtinhas, sopradas ao pé do ouvido.

A fragilidade vocal reflete-se no instrumental, com sons rústicos, acordes primários, frases repetitivas. E a intenção é essa mesmo, relembrar uma época de formação e descoberta, quando a linguagem do rock esbarrava em um repertório curto de clichês, procurando certa criatividade dentro dele.

Trata-se, portanto, de uma banda de clima, em que a ambientação retrô é o mais importante e vai além das meras citações, tornando-se o eixo central do trabalho. É a cara dos hipsters.

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