A dama do samba

Dona Ivone Lara

Dona Ivone Lara, a grande dama do samba, completa 95 anos em abril, motivo mais do que oportuno para celebrar. Compositora, Dona Ivone cultiva um samba sem pressa, bem marcado, com percussão clara e malemolência à moda antiga.

É de uma elegância própria, mesmo quando se volta ao samba de roda ou ao partido alto. Nunca resvala na vulgaridade. Em contrapartida ao domínio da divisão, Dona Ivone Lara tem apreço pela melodia, provavelmente desenvolvido nas rodas de choro, ao lado de Pixinguinha.

Sua trajetória, entretanto, é singular. Perdeu pai e mãe aos seis anos, sendo enviada para um internato na Tijuca, onde permaneceu até a adolescência. Neta de moçambicana, Dona Ivone convive com o samba desde o berço – seus pais já participavam de cordões, blocos e ranchos, sem falar nos tios e primos músicos.

Após o internato, ela foi para Madureira, onde integrou a comunidade da recém-criada Império Serrano. Parceira de Delcio Carvalho, conviveu com Silas de Oliveira, Aniceto, Roberto Ribeiro, Villa-Lobos, Rosinha de Valença e Elizeth Cardoso, entre outros.

Para fugir da miséria financeira que geralmente recai sobre os compositores de samba, Dona Ivone Lara trabalhou como enfermeira e assistente social ao lado da Dra. Nise da Silveira, reconhecida por combater práticas violentas nos tratamentos psiquiátricos. Dona Ivone só se dedicou exclusivamente à música após a aposentadoria, em 1977.

Dos 95 anos, pelo menos 83 são de carreira – a primeira música foi composta aos 12.

Sua longevidade é uma dádiva para o enobrecimento do samba.

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