Um catamarã de vento em popa

André Siqueira (André Gazoli/Nieps Fotografia)

André Siqueira (André Gazoli/Niéps Fotografia)

Eis que o Catamarã de André Siqueira já se faz aos ventos, singrando as águas com a segurança dos barcos de casco duplo, como demonstrou o show realizado no dia 1º na sede de inverno do Londrina Country Club.

A apresentação do André Siqueira Quarteto reuniu amigos e lotou a casa, divulgando o disco cuja campanha para financiamento coletivo vai de vento em popa.

Foi como um cruzeiro partindo de porto seguro – justamente a raiz da música popular brasileira, imune a banalizações. Bem lastreado, o show levantou âncora tendo o improviso como bússola a apontar para as mais diferentes direções.

As paredes amadeiradas receberam com boa acústica os sons que o compositor e instrumentista persegue e talha com dedicação. O público embarcou junto.

Empunhando a viola, o violão ou o bandolim, André foi escudado por um trio de feras: a bateria de Bruno Cotrim trata ritmos complexos sem perder o traquejo; Gabriel Zara leva seu baixo a duetos, solos e contrapontos; e Júlio Erthal flutua com seu sopro (sax/flauta) pelas melodias como se elas não tivessem fim. Coeso, o quarteto mostrou descontração no palco, mesmo quando a navegação se mostrava difícil.

Crédito: André Gazoli/Nieps Fotografia

Crédito: André Gazoli/Niéps Fotografia

Acostumado às águas manhosas do choro, André Vercelino mostrou porque está entre os grandes pandeiristas, arrancando um sem número de recursos do instrumento. Casando piano e vibrafone, o Duo Clavis, de Mateus Gonsales e José Marcello Casagrande, tem a rara habilidade de ser virtuoso e simples.

O advogado Marco Antonio Dias Lima Castro soltou a voz em Serrado (Djavan), enquanto Liliana Accorsi trouxe delicadeza a uma versão intimista de Carinhoso (Pixinguinha). Com vozes transformadas em acordes, as Cluster Sisters levaram Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu) para passear em New Orleans.

O repertório também entrou por mares bravios, como Corrupião, de Edu Lobo, ou Toccata em ritmo de samba, de Radamés Gnattali. Mas a rota foi traçada mesmo pelas composições de André, como Amendoim na chuva e Moçambique, quando a música popular de origem rural encontra a música contemporânea.

Em Tangram, por exemplo, a viola caipira cita, no terreno modal, a tradicional Cantiga Caicó e, ao mesmo tempo, refere-se a um quebra-cabeça de origem oriental. Uma obra que pode ser tocada de diferentes formas.

Foi uma noite para lavar a alma. Poderia até se estender, mas o bom senso preferiu evitar exageros. André Siqueira se despediu entoando Casinha Branca (Elpídio dos Santos), transformada em acalanto para preservar os bons momentos.

“Temos a obrigação de tomar as rédeas do próprio trabalho”, comentou André, explicando a campanha de financiamento coletivo para lançamento do disco Catamarã, gravado há cinco anos em Belo Horizonte.

Para conhecer mais sobre o projeto Catamarã e colaborar com a campanha, visite o Kickante.

 

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