Riviera Gaz: em busca do rock essencial

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Eram garotos que ouviam MC5, Stooges e outra bandas do cenário proto-punk, apaixonados pelo rock ainda capaz de despertar paixões com a crueza de guitarras distorcidas e versos indignados. Fundador do Forgotten Boys em 1997, Gustavo Riviera tem cancha no cenário independente. Com a banda, o guitarrista e vocalista já teve contratos com gravadoras norte-americanas, participou de lançamentos internacionais, abriu para o Guns N’Roses e teve o disco Taste It (2011) mixado por Roy Cicala, engenheiro de som que trabalhou com John Lennon, AC/DC, Elvis Presley, Frank Sinatra e Miles Davis, entre muitos outros.

Paralelo ao trabalho com o Forgotten Boys, Gustavo Riviera juntou-se ao multi-instrumentista Paulo Kishimoto (também do Forgotten Boys) e o baterista Steve Shelley (Sonic Youth) para formar o Riviera Gaz. O grupo se apresenta hoje (20/05) em Londrina ao lado de Renato Rodrigues and The Faded Flowers (confira detalhes no fim do post).

O Riviera Gaz tem influência do folk psicodélico, do rock anos 90 e do glam rock. O trio está divulgando um EP com músicas inéditas. Em Londrina, o show contará com alguns covers que serão decididos pela banda no palco.

Por e-mail, Gustavo Riviera conversou com a Máquina do Som sobre os rumos do rock independente.

Uma coisa que salta aos ouvidos no Riviera Gaz é a busca – também evidente com o Forgotten Boys – de um rock verdadeiro e essencial. Como anda o rock hoje? Ainda é capaz de despertar comportamentos, contestações e ideias?

Sim, o rock continua libertador, te dá aprovação para fazer o que quiser.  Claro que não só o rock e claro que tem o rock careta que pode ser o oposto disso.

Como foi o encontro com Steve Shelley e a decisão de montar um projeto juntos? O que virá pela frente?

A ideia veio de convidá-lo para gravar algumas músicas quando ele estava em turnê com o Lee Ranaldo no Brasil e acabou que virou uma banda, mesmo. Gravamos um EP de quatro músicas que estamos lançando nessa turnê [amanhã a banda toca no bar Tribos, em Maringá] e daqui a duas semanas sai em vinil. Estamos gravando mais coisas para lançar.

Você vem de uma longa estrada no rock independente e tem experiência no cenário internacional. Quais as maiores dificuldades do underground? É muito difícil manter uma banda unida e focada?

Não sei dizer o que é mais difícil, tudo é bem instável, mas se todos tiverem na mesma direção a coisa anda bem melhor.  Às vezes encontramos lugares bons, profissionais, às vezes não temos um equipamento bom. Às vezes temos que dormir no sofá da casa de alguém, no outro dia te colocam em um hotel cinco estrelas. Cada dia encontra algo novo, que te alegra ou te murcha.

Porque o mainstream parece tão anestesiado a ponto de oferecer pouca – ou nenhuma – novidade?

Acho que é por produzir as coisas tentando seguir um “manual de sucesso”.

O que você acha do rock brasileiro? O Brasil tem um jeito próprio de fazer rock?

Vejo poucas bandas boas, bem poucas, mas isso não é uma característica de bandas do brasil.

É possível comparar o cenário independente internacional com o brasileiro? O que temos a ensinar e a aprender?

Não sei sobre cenário, nem aqui nem fora. É complexo como a coisa se forma, muita gente envolvida nisso, funciona meio sem controle. Mas é tudo meio parecido. Quem está se dedicando bem vai crescendo, desde banda até festivais, produtoras, roadies. Quando está tudo ruim, começa a se fazer algo criativo para sair da lama, aí vai juntando mais gente e vira algo, depois vai perdendo o interesse e começa um outro ciclo.

Show: Riviera Gaz + Renato Rodrigues and The Faded Flowers. Hoje (20/05/2016), às 22h, no Oficina Bar (R. Prefeito Faria Lima, 1380), com discotecagem de Rodrigo Guedes, Flavio Testa e Carlo Dutra. Ingressos a R$ 20 (100 primeiros) e R$ 25 (60 últimos). Mais informações aqui.

 

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