Iggy D: rock e aventura em VHS

Iggy-D por Eik Sorgi

Iggy-D por Eik Sorgi

 

Simples e direto. O rock, para Iggy D, codinome de Igor Diniz, não precisa de voltas para chegar aos ouvidos e dar o recado. Também não busca a perfeição: guitarras cruas, acordes fundamentais e muita garra contam, para ele, mais do que a assepsia dos ruídos exterminados.

Iggy D está com um novo clipe na manga. Just saying foi gravado em Londrina com direção de Eik Sorgi e edição de Yan Sorgi. O clipe traz um clima anos 90 pela produção em VHS e referências que, hoje, fazem parte da memória de toda uma geração.

De Londrina, onde aprendeu a gostar de rock, Iggy circulou pelo país, vivendo alguns anos no Rio de Janeiro e outros em São Paulo, conseguindo destaque no cenário underground. Pelo Facebook, Iggy-D contou sua história à Máquina do Som.

 

Quando começou sua relação com a música. Foi na infância?

Sim, minha relação com a música começou na infância. Eu tinha dois tios, o Jarbas e o Reginaldo, que tinham uma banda lá por 1992, eu acho… em Londrina. Eles ensaiavam no fundo da casa da minha avó, eu sempre queria ficar vendo, mas nem sempre podia, sabe, eu era muito pequeno. Eles também não deixavam a porta destrancada quando saíam para eu não entrar e zoar tudo. O sonho da minha vida era quando eles esqueciam aberta a porta. Eu me lembro de sempre ficar pedindo pro meu tio Jarbas (Binha) pra me ensinar a tocar tudo. Dessa banda do meu tio, o baixista Ricardo formou o Chaminé Batom, e meu tio Jarbas (Binha) foi para Londres com sua banda Jules et Jim, o desfecho foi super trágico lá em Londres, mas isso é papo pra outra entrevista.. Enfim… Eu acho que foi daí que o bicho me mordeu pra música.

 

Quando você decidiu se profissionalizar?

Eu nunca decidi: “Vou me profissionalizar”, nem sei se posso me chamar disso… Um dia eu olhei pros lados e vi que o que eu havia feito a maior parte do meu tempo na vida desde os 11 anos era tocar. Quando eu percebi já estava fazendo shows pelo país, morando de favor na casa dos outros e todo o furacão que veio de brinde.

 

Quais foram as influências mais diretas e importantes?

Sobre influências, meus tios, que disse acima, meu pai também, de uma forma ou de outra sempre estava tocando em casa violão, teclado… Hahaha, lembrei de uma coisa, meu pai uma vez gravou com meu primeiro professor de bateria, o Luiz Violão, uma fita demo com umas composições malucas dele e uns covers… Eu pensava que era dele aquilo tudo. Um dia, anos depois, eu estava no carro do Guilherme Dalvi com a mãe dele e começou a tocar “É bom passar uma tarde em Itapuã”, sabe? Eu fiquei louco dizendo: “UAU A MÚSICA DO MEU PAI ESTÁ NO RÁDIO”. A mãe do Guilherme e ele riram muito de mim… Essa música estava no meio da fita do meu pai, ele gravou como cover, mas eu não sabia entendeu? Achei que meu pai era tipo um Toquinho e tal… Mas depois de adolescente o que mudou meu mundo foram os Ramones, N.Y. Dolls, Dead Boys, Stones, Velvet Underground… Esses lixos todos, rsrs.

 

Iggy-D por Eik Sorgi

Iggy-D por Eik Sorgi

Você acha que a simplicidade está na essência do rock?

Sim, eu acredito que esteja. Bo Didley, Chuck Berry, e Muddy Watters são puro coração e simplicidade, mesmo que esses aí sejam os reis e toquem de maneira mais que especial, ainda assim é simples. Ou depois com os Stones, os Ramones… Olha o primeiro disco dos Ramones, o que é aquilo? Até fico de cara. Porém existe uma lógica mínima nessa simplicidade, eu particularmente gosto de sentimento vivo e puro nas minhas canções e nas canções em geral, com um mínimo necessário de bom gosto. Talento faz bem também…

Gosto de sentimento vivo e puro nas minhas canções e nas canções em geral, com um mínimo necessário de bom gosto. Talento faz bem também.

O rock ainda é capaz de provocar transformações comportamentais ou sociais?

Acredito que possa transformar sim. Nós (pessoas) somos capazes de tudo. Apesar de que eu não vejo mais muito entusiasmo por parte dos jovens, em sua maioria, por rock’n roll. Hoje em dia o funk carioca, por exemplo, tem se mostrado mais transformador do que o rock. Muito mais. O funk hoje mostra um caminho para os jovens que eram massacrados pela sociedade, um novo caminho que até um passado muito recente não existia. Morei na favela do Vidigal e percebi que muitos jovens se espelham agora não mais no dono da boca ou no gerente do morro, eles olham os amigos que estão se destacando e transformando sua própria realidade pela arte. Existem inúmeros artistas nas comunidades que vivem de pequenos bailes funk, pequenos grupos que ainda não são conhecidos da mídia mas que movimentam muita gente, cultura, dinheiro… Por exemplo, o DJ João Lima, lá do Vidigal, que faz música, organiza festas… Ou os mais conhecidos da mídia, tipo a Ludmilla, ou as meninas lá do Vidigal também, as Pearls Negras… O rock está meio em baixa, mas sinto uma atmosfera crescendo, mesmo que underground. Estou com um sentimento de que algo legal virá.

Morei na favela do Vidigal e percebi que muitos jovens se espelham agora não mais no dono da boca ou no gerente do morro, eles olham os amigos que estão se destacando e transformando sua própria realidade pela arte.

 

Queria falar da sua carreira… Você trabalha bastante fora de Londrina e em projetos diferentes. 

Eu fiquei um bom tempo fora [de Londrina], morei no Rio quase dois anos, em São Paulo mais dois, e voltei pra Londrina no ano passado, para tentar ver se conseguia passar um ano dando aula de Filosofia em escolas, tendo uma vida normal, com rotinas, sem loucuras. Nessas andanças, conheci muita gente e fiz muitas coisas com muitos artistas, mas o que vale falar, que está ativo no momento, é o projeto, feito em português com meu parceiro Rafa Vella. O projeto chama-se Iggy & Rafa (procurem no Youtube), estamos gravando o primeiro disco e fazendo uns clipes, logo sai uma coisa muito legal para todos. Gosto das músicas que o Rafa faz, eu geralmente arrumo elas, escrevo algumas coisinhas em cima, produzo e gravo os instrumentos. Mas essa parada sai do coração e cabeça do Rafa Vella. Acabamos de gravar a música chamada Antes que eu me estrague e vamos para o Rio fazer o clipe com o diretor Candé Salles, vai ser demais. Fizemos também a gravação patrocinada pela Converse, Rubber Tracks, que é tipo um concurso feito no país todo e eles escolhem uma banda, fomos escolhidos e gravamos a música chamada Correr Atrás. E vamos gravar o clipe em londrina com os diretores Eik e Yan Sorgi, não vejo a hora de começar a gravar.

 

Queria que você contasse a historinha do novo clipe [da música Just Saying]…

O roteiro (concepção) saiu da minha cabeça, quase todo, muitas coisas foram acontecendo na hora. Não tivemos uma grande reunião sobre o roteiro, a ideia básica que tive foi: vou chegar de moto em um local, encontrar dois amigos e vamos a caminho da terceira personagem, que no filme seria minha mulher, para roubarmos um barco e fugir pro Paraguai. No meio disso aparece um outro personagem em um bar mostrando o barco em um desenho. Isso aconteceu na hora, fomos parar para tomar uma cerveja rápida e filmaram isso. (As personagens são em ordem de aparição: na moto, o Blaia, Stephanie Guardia, Rafael Vella, Steven e, por fim, a Isabela Martins). Fizemos em uma linguagem anos 90, isso veio da cabeça do Eik, que queria fazer assim e eu adorei. Filmamos em VHS e, como não tínhamos fita, emprestamos uma da minha amiga Ana Brunetto, no fundo tinha umas imagens da filha dela, na época com 4 anos cantando de biquíni com um condicionador de microfone. Acho que comemos um pouquinho dessas imagens da Sofia (filha da Ana) – mas só um pedacinho (desculpa Ana).

As cenas externas foram filmadas em um dia inteiro com apenas uma câmera pelo Eik Sorgi. As cenas de estúdio que entram como cortes da historinha (que são minhas cenas prediletas) fizemos no estúdio do Ber Sardi em Londrina também, em 4 horas, somente eu, o Eik e a esposa dele, a Thais Fujarra. Nós três ficamos produzindo e filmando, eu ficava dançando pra eles, tudo muito engraçado, rimos demais. Somos grandes amigos e o Eik já havia feito meu primeiro clipe, My clothes on you.

Depois de filmar, o Eik passou para o Yan Sorgi que editou de forma magistral.

Tudo isso foi possível pela parceria com os irmãos Sorgi, e agradeço muito a eles, e também pela minha patrocinadora, a marca paulistana Saloon 33 (www.saloon33.com.br), que apoiou e patrocinou a ideia. As roupas do clipe, (menos o paletó cor de rosa) também são da marca e podem ser adquiridas no site.

É muito legal poder contar com empresas privadas que apoiam arte, faço isso desde o início da minha carreira solo, a Saloon entrou com uma parceria essencial pois é uma marca incrível de roupas que eu gosto muito e tem muito a ver com o que eu faço e visto.

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