Whitney Shay e Bernardo Manita: a arte de ir à essência

Cantora californiana e pianista curitibano vão dominar o palco do Valentino hoje pelo 6º Festival Blues de Londrina

Whitney Shay por Andy King Photography

Whitney Shay por Andy King Photography

Há algo na música de Whitney Shay que remete imediatamente às raízes da música americana, à verve de quem canta coisas fundamentais. É o que a destaca de outras cantoras retrôs que estão surgindo: Shay realmente parece alguém dos anos 40 ou 50 porque traz essa essência interpretativa.

Basta ouvir o elogiado disco Soul Tonic (2012), em que a força da cantora é desproporcional para sua juventude. E é aí que reside um segredo: Whitney Shay é jovem na idade, mas veterana dos palcos.

É onde ela sempre quis estar. Desde quando tinha apenas três anos e assistiu a uma performance de O Mágico de Oz pela Royal Shakespeare Company, durante uma viagem à Europa com a mãe e a avó. A família reforçou o sonho da menina fundando uma companhia de teatro.

Whitney Shay atuou e cantou em diversas produções, mas foi aos poucos se transformando em uma cantora de jazz e blues. A transição foi concluída em 2009 e coroada com mais de 200 shows por ano.

Quando sobra um tempinho na agenda musical, ela continua atuando, seja no teatro ou no cinema. Ela já fez curtas-metragens como Is the noise in my head bothering you? (2008) e Quillions (2009), ambos dirigidos por Stephen Anson. Não é à toa. Whitney Shay é bacharel em teatro.

Natural da Califórnia (EUA), Whitney Shay é daquelas performers que constroem a carreira com muito trabalho. Sua ascensão musical não ocorre à toa: houve muita luta para que chegasse a ser indicada ao San Diego Music Awards como “melhor artista de blues”, “melhor performer” e “melhor álbum de blues” por Soul Tonic.

É uma caminhada que inclui apresentações no Doheny Blues Festival, Gator by the Bay Festival, San Diego Blues Festival, San Diego Film Awards e San Diego Music Awards. Até chegar ao Brasil em 2015, onde se apresentou com o guitarrista Igor Prado no Mississipi Delta Blues Festival, em Caxias do Sul (RS).

 

Com um repertório dedicado ao blues, swing, jazz e R&B, repleto de clássico dos anos 40 e 50, Whitney Shay traz sua estrela ao Festival Blues de Londrina nesta quinta-feira (dia 4), com show às 21h no Bar Valentino. E será acompanhada novamente por uma estrela premiada do blues brasileiro: Igor Prado e banda.

 

Você esteve no Mississipi Delta Blues Festival no ano passado. Como foi o show? Você gostou do festival?

Passei um tempo maravilhoso em Caxias, no MDBF! O público era fantástico, e foi uma experiência incrível fazer meu primeiro show no Brasil naquele festival. Eu gostei imensamente.

 

Seu guitarrista, na turnê brasileira, é Igor Prado. Você conhece o blues brasileiro? Como é a experiência de cantar com músicos brasileiros?

Sim, eu tenho encontrado muitos músicos de blues brasileiros e latino-americanos durante minha turnê e tem sido maravilhoso encontrá-los e trabalhar com eles. Trabalhar com Igor Prado e sua banda é um prazer, eles são realmente músicos incríveis que respeitam e honram esta grande forma de música no mais alto nível com seu talento. Eu amo o Brasil, seu povo e os músicos mais impressionantes que eu tenho conhecido. Estou muito agradecida em estar de volta.

 

O que você espera do festival londrinense? Como será o show? Podemos esperar alguma coisa do disco Soul Tonic?

Estou muito animada para tocar em Londrina trazer muito blues e R&B com alta energia para esta cidade. Você pode esperar muita diversão e talvez algumas surpresas.

 

Você conhece música brasileira?

Eu conheço alguma coisa de samba e bossa nova. Eu realmente amo ouvir as pessoas cantando em português. Eu creio que é a língua mais bonita para se ouvir.

 

Você é uma cantora jovem e talentosa, e conhece o palco desde que era criança. Você continua atuando? Quais são seus próximos projetos?

 Eu venho me apresentando desde os três anos de idade, e eu fiz o bacharelado em Teatro. Eu realmente amo me apresentar, seja cantando, atuando ou dançando. Às vezes eu ainda atuo em alguns filmes ocasionalmente, mas agora meu foco e mais musical. Eu estou trabalhando muito, e gravando alguns projetos divertidos. Espero lançar um novo álbum muito em breve.

 

Bernardo Manita

O pianista curitibano Bernardo Manita já tinha uma carreira de estudos e dedicação ao instrumento quando conheceu a obra de Ray Charles, aos 17 anos. Foi uma referência tão impactante que Bernardo resolveu cantar. Vem desta época, então, o trabalho que desembocou no Tributo a Ray Charles, show que ele apresenta nesta quinta-feira no 6º Festival Blues de Londrina.

Desde que começou a dedilhar o piano, aos 7 anos de idade, Bernardo Manita passou por vários estilos. Partiu da música erudita, com aulas na Escola de Belas Artes do Paraná, em Curitiba, e teve professores como Maria Helena Carollo, André Fadel e Paulo Emílio de Andrade. Aos poucos, descobriu o piano popular com Osiel Fonseca, Davi Sartori, Victor Cabral e Fábio Torres, entre outros.

Parece uma longa carreira para um jovem instrumentista, pois Bernardo Manita ainda passou 6 anos tocando com um coral gospel, despertando a paixão pela música negra. Depois integrou a banda do guitarrista de blues Décio Caetano e, com ele, apresentou-se ao lado de Guy King, Mud Morganfield, Lurrie Bell, Deitra Farr e Omar Coleman. Neste período, esteve várias vezes em Londrina, especialmente acompanhando Guy King.

Em 2010, o pianista formou o Bernardo Manita Trio, ao lado de Flavio Coimbra (bateria) e Luciano Grube (contrabaixo). Do jazz e blues instrumental, passaram a tocar temas de Ray Charles.

Mas a busca pelo aprendizado levou Manita aos Estados Unidos em 2013, e ele foi para Chicago estudar com o pianista Chris White. De volta ao Brasil, resolveu gravar suas próprias composições, o que resultou no CD Bernardo Manita (2016), lançado em fevereiro e disponível no YouTube e Spotify.

As andanças e descobertas transformaram Bernardo Manita em um pianista múltiplo, que não se dedica apenas ao blues, mas também transita com desprendimento pelo jazz, pelo soul e pela música brasileira. O disco solo é uma amostra da diversidade que compõe a base musical do compositor.

No 6º Festival Blues de Londrina, porém, a paixão pela música de Ray Charles será celebrada.

“Gosto de fazer o Tributo porque tem coisas mais conhecidas, como os grandes sucessos, mas também tem coisas menos conhecidas, como Hey Now, que Ray Charles gravou no primeiro disco, ou A fool for you, de autoria dele. A gente abraça toda a obra. Ray Charles foi um dos artistas que mais gravaram na história, ele tem uma discografia muito grande”, ressalta Manita, que também vai comentar um pouco da história do grande mestre do blues e do jazz.

Bernardo Manita, que se apresenta com frequência no Dizzy Café Concerto, em Curitiba, vem a Londrina com o próprio trio para mostrar porque é um dos intérpretes brasileiros mais impressionantes da obra de Ray Charles.

 

6º FESTIVAL BLUES DE LONDRINA – PROGRAMAÇÃO

-4/8/2016 (quinta-feira): Whitney Shay (EUA) e Bernardo Manita (Curitiba).

-5/8/2016 (sexta-feira): Vasco Faé (SP) e Amber Foxx (EUA).

-6/8/2016 (sábado): Lancaster (SP) e Eric Assmar Trio convida Álvaro Assmar (BA).

 

LOCAL/HORÁRIO

Os shows do 6º Festival Blues de Londrina ocorrem pontualmente às 21 horas no Bar Valentino (R. Pref. Faria Lima, 486).

 

INGRESSOS

Como ocorre todos os anos – o evento teve ingressos esgotados em todas as edições –, a procura é grande pelas entradas do 6º Festival Blues de Londrina. As mesas já estão esgotadas, mas ingressos avulsos (que dão direito a ocupação de corredores, balcão e banquetas) estão à venda com preços promocionais na rede de lojas 5àsec (www.5asec.com.br/) e pelo Disk Blues – telefone (43) 3357-1392. Para mais informações acesse www.festivalbluesdelondrina.com.br.

 

OUTRAS ATRAÇÕES:

Vasco Faé

Com uma longa carreira no blues nacional, Vasco Faé soube se reinventar como o homem-banda Manoblues, tocando, ao mesmo tempo, gaita, guitarra, voz, bumbo e caixa. Utilizando de recursos eletrônicos ou um bottleneck, ele dá interpretação emocionada a um repertório de blues, soul, funk e rock. Vasco Faé fundou a Irmandade do Blues em 1992, tocou com Andreas Kisser (Sepultura), integrou a banda Blues Etílicos, realizou o projeto Blueseiros do Brasil e forma, desde 1998, duo com Adriano Grineberg (piano).

 

Amber Foxx

A cantora californiana é apaixonada pelo entroncamento do blues com o rock, de onde ela extrai um repertório vintage relembrando momentos áureos dos anos 50, justamente a raiz da música pop como conhecemos hoje. Amber Foxx vem excursionando com sucesso pelos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália. Ela já gravou dois CDs: Restless and wild e HiFi Party.

 

Lancaster

Considerado um dos grandes nomes do blues brasileiro, Lancaster arranca elogios de veteranos – como Nuno Mindelis e André Christovam – e ainda chama a atenção no exterior. O guitarrista, que também canta muito bem, está lançando o 6º CD, Say goodbye to trouble, destilando o blues de Chicago por composições próprias. Com mais de 25 anos de carreira dedicada ao blues, Lancaster foi chamado pela revista Austin Blues Monthly como “Brazilian Blues Sensation”.

 

Eric Assmar Trio

Um dos grandes nomes da nova geração, Eric vai lançar em Londrina seu novo disco: Morning. Pesquisador, técnico sem perder a emoção, Eric aprendeu muito com o pai, Álvaro Assmar, que fará uma participação especial no Festival Blues de Londrina. Álvaro recebeu nada menos que quatro indicações ao Grammy Latino 2016. Eric foi eleito o melhor instrumentista pelo Prêmio Caymmi de Música (2015) e traz, no novo CD, referências de diferentes épocas do blues, do rock e da soul music.

 

HISTÓRICO

O Festival Blues de Londrina surgiu em 2011 já como um grande evento, marcado pela organização e pontualidade. Naquela primeira edição, estiveram presentes guitarristas como Nuno Mindelis e André Christovam em shows memoráveis. Nuno Mindelis chegou a sair do Bar Valentino solando sua guitarra. Outra presença que marcou o festival foi a do pianista Adriano Grineberg, que circulou entre as mesas tocando, na escaleta, uma fusão de blues com Luiz Gonzaga. Inesquecível.

Mas o festival também trouxe nomes internacionais de peso, como o veterano Jimmy Burns, que simplesmente se recusou a sair do palco. Deitra Farr, por exemplo, encheu o salão do Valentino com sua voz e terminou emocionada com o próprio show.

Nomes como Guy King, Flávio Guimarães, Donny Nichilo, Kenny Brown, Ari Borger, Solon Fishbone, J.J. Jackson, Jai Malano, Igor Prado, Cluster Sisters, Crackerjack, John Doe Blues, Irmandade do Blues, Fernando Noronha, Sergio Duarte, Marcos Ottaviano, Milk’N Blues, Taryn Szpilman, Artur Menezes, Fred Sunwalk, Tiffany Harp, Jes Condado, e Blues for Allice, entre outros, reafirmam a força e a importância do Festival Blues de Londrina.

 

PATROCINADORES

Teixeira Holzmann Empreendimentos Imobiliários, Sonkey, Evviva Bertolini, Divesa, Raul Fulgencio/Lopes Negócios Imobiliários, Catuaí Shopping Center, 5àSec Textile Expert e Amadeus Cervejas Especiais.

Apoio: Nov3.Digital, Frizz Magazine, LPR, Usina de Ideias, Tagima, D’Addario, Hotel Crystal, Folha de Londrina, Fim da Quebrada Luthieria e O Casarão.

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