Victor Biglione faz um giro pela América do Sul em disco autoral

Victor Biglione por Nando Chagas

Victor Biglione por Nando Chagas

São muitas as paisagens sonoras que habitam a música de Victor Biglione, retratando as ligações do guitarrista e compositor com diversas regiões da América Latina. Pois os elementos geográficos – bem como costumes, hábitos, gostos, cheiros e cores – impregnam de tal forma suas melodias que o disco Mercosul pode ser considerado uma espécie de trilha sonora das andanças de Biglione.

Todo esse conjunto é condensando artisticamente de forma única pelo instrumentista, capaz de incorporar referências que vão além das auditivas, entrando também pelo campo da memória e, certamente, da saudade.

Lançado recentemente, Mercosul é um disco em homenagem a cinco países que fazem parte da linguagem musical de Biglione: Paraguai, Uruguai, Brasil, Argentina e Venezuela.

mercosul

Claro que esses elementos ganham outras misturas, uma vez que a arte de Biglione é enriquecida pela miscigenação. As referências, portanto, se cruzam e se complementam, indicando outros caminhos, buscando alimentar-se do que é surpreendente e original.

Nascido na Argentina, Victor Biglione veio para o Brasil aos cinco anos com os pais para escapar do golpe militar de 1962. Aqui, viveu primeiro em São Paulo e depois no Rio de Janeiro, onde iniciou uma carreira musical múltipla, sem fronteiras, tocando jazz, bossa nova, MPB, blues e rock, além de trabalhar com trilha sonora e música instrumental.

Seja como for, sua obra não se encaixa confortavelmente em definições restritas de gêneros ou estilos, transitando entre eles – e misturando-os – com extrema facilidade.

O mais importante é frisar a capacidade que Victor Biglione tem de absorver os mais diferentes ambientes musicais. Foi assim desde o começo da carreira, quando logo compreendeu a diversidade da música brasileira e passou a tocá-la com desprendimento. Essa percepção aguçada para os mais diferentes ritmos e gêneros faz com que ele interprete as referências de forma espontânea, relendo-as com naturalidade.

É claro que, além das vivências, foi preciso o estudo, a dedicação e o comprometimento que formam a base de qualquer músico sério. Não é à toa que ele embarcou para a Berklee College of Music (Boston/EUA), nos anos 70, com recomendação escrita por Tom Jobim.

Transitar por diferentes estradas também dá cancha para os mais variados projetos e parcerias. Victor Biglione integra a formação do Som Imaginário, tem duos com Marcel Powell, Wagner Tiso, Andy Summers, Marcos Ariel, Jane Duboc, Zé Renato e ainda possui um disco inédito com Cássia Eller, cujo lançamento vem sendo negociado há anos.

Por isso a fusão é uma das características mais marcantes de Victor Biglione. E é ela que se destaca em Mercosul, compilando em um único disco autoral desde o manguebeat ao tango, seguindo do Nordeste ao pampa gaúcho.

Victor Biglione viaja bem acompanhado, contando com Luiz Alves (contrabaixo), Zé Lourenço (piano) e os percussionistas Roberto Alemão, Claudio Infante, Horácio Lopez, André Tandeta, Arthur Dutra, Murilo O’Riley e DJ Marco Antonio, entre outros.

Embarque no trem de Victor Biglione e veja como Mercosul é capaz de convergir as diferenças em unidade.

 

Serviço

Mercosul – Victor Biglione (Independente)

Distribuição: Tratore

 

Faixas

1-Chico Science – Mange-beat

2-Mercosur para siempre (com Zé Renato)

3-Monte Aconcágua

4-Punta Del Este longe

5-San Telmo – Tango y Bolero

6-Juruna goes to New York

7-Pinheiros do Paraná

8-ABC Paulista

9-Oração na Mangueira para Iemanjá

10-Isla Margarita – Caribe venezolano

11-Via Lagos – Araruama/Cabo Frio/Búzios

12-Desierto del Atacama

13-Guarani de Amabay

14-Movimento do calango

15-Ayahuasca

16-Epílogo pampaneiro

 

Composições e arranjos: Victor Biglione

Gravado nos estúdios Botânico (RJ) por Roberto “Alemão” Marques, Estúdio Up (RJ) por Marco Antônio Linhares, Cheese Studios (RJ) por Daniel Cheese, Studio Congresso (Buenos Aires) por César Franov. Masterização: JTStudio por João Thire. Capa e design gráfico: Duda Marques. Fotos: Nando Chagas.

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