Stones voltam aos primórdios em Blue and Lonesome

The Rolling Stones announced they're performing four shows - two in London and two in Newark - at the end of this year. It's part of their 50th Anniversary celebrations.

A história já é conhecida. Os Rolling Stones se encontraram no British Grove Studios, de Mark Knopfler, em Londres, para produzir um novo disco.

O local é um gigantesco monstro tecnológico, com um design moderno, cheio de luzes e refletores.

Talvez, por isso, a banda precisou relaxar tocando um tema de Little Walter, bluesman que morreu aos 37 anos após uma briga num bar.

O clima de jam session foi contagiante, a banda foi lembrando antigos blues e, de repente, algo que não acontecia desde os anos 60 ocorreu: a banda gravou um disco em apenas alguns dias.

Blue and lonesome, o pesado hit de Little Walter, tornou-se o título do álbum que acaba de ser lançado e vem arrebatando a crítica por causa da simplicidade e do desprendimento.

É compreensível. Afinal, os Rolling Stones já não têm o que provar.

Mick Jagger finalmente desistiu de ficar na crista da onda pop e relaxou. É ele, mais do que Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood, quem segura o disco, todo dedicado à releitura de blues tradicionais.

A relação estreita da banda com o blues não é nova.

Não podemos esquecer, por exemplo, que o nome da banda foi emprestado de um blues de Muddy Waters – com quem, aliás, os Stones já dividiram o palco.

Mick Jagger é um excelente gaitista de blues, capaz de extrair notas tanto ao soprar quanto ao sugar o instrumento.  

Nos anos 70 a Atlantic resolveu regravar grandes bluesmen que ainda estavam vivos.

E vamos encontrar Mick Jagger tocando harmônica em várias dessas regravações, inclusive na mais famosa de Willie Mabon (I don’t know).

Ou seja, ele realmente transitava entre os veteranos do gênero.

Assim, a descontração é a grande qualidade de Blue & Lonesome.

Os Rolling Stones tiram o peso de ser uma das maiores bandas da história para apenas se divertirem tocando o que gostam.

O som sai truncado, sujo, como se fosse gravado num bar qualquer repleto de bêbados.

E, por lembrar a sarjeta, acaba conquistando a verdade tão necessária para o blues vibrar como deve.

Não espere virtuosismo – o próprio Eric Clapton, que participa do disco em dois solos – já desistiu dele.

Blue & Lonesome não tem qualquer compromisso com a perfeição e esse é um dos atrativos que conquistam os ouvidos logo na primeira audição.

Quanto à experiência para falar sobre amores perdidos e garotas que se foram, bem, eles têm de sobra.

stonesblueandlonesome

Tem outro ponto importante.

Os Rolling Stones completam 55 anos de carreira no mesmo ponto onde começaram: louvando os bluesmen americanos.

O primeiro disco, de 1964, trazia blues de Willie Dixon (I just want to make love with you) e Rufus Thomas (Walking the dog).

Willie Dixon está de volta em Blue & Lonesome com … O lançamento também traz canções de Jimmy Reed, Eddie Taylor e Howlin’ Wolf, entre outros.

Não dá para reclamar de falta de coerência.

Rolling Stones – Blue & Lonesome (Interscope/Polydor). Disponível na loja oficial, iTunes, Amazon, Spotify.

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