Netflix exibe documentário sobre Clark Terry

 

 

Estreou de forma discreta, quase sem divulgação no Netflix, o documentário Keep on keepin’ on (2014), sobre o trompetista Clark Terry.

 

Talvez não seja interessante caso você procure um grande filme. Agora, se você procura um grande músico, a estreia é imperdível.

 

Clark Terry foi um dos maiores nomes do jazz. Não foi tão badalado quanto Dizzy Gillespie, Miles Davis ou mesmo John Coltrane e Thelonius Monk. Mas influenciou, de uma forma ou outra, todos eles.

 

Keep on keepin’ on chega a ser comovente ao retratar o mestre em seu momento mais difícil na luta contra o diabetes. Mesmo ali, no leito de hospital, Clark Terry exerce com generosidade outro ofício: o de educador. Ele ensina incansavelmente um jovem talento do piano: Justin Kauflin, um rapaz cego cuja maior dificuldade está em sua própria mente, que o atrapalha em momentos decisivos. Kauflin estuda exaustivamente para vencer a si mesmo.

 

 

Há tudo o que um documentário deve ter, incluindo uma retrospectiva da carreira com números fantásticos.

 

Dono de um sopro alegre mesmo quando melancólico, Clark Terry era conhecido pelo alto astral, pela música suingada e pela excelência técnica. Nada disso lhe tirava o humor. Para satirizar cantores pioneiros cujos fraseados eram incompreensíveis, Terry criou um personagem, Mumbles, cujas canções começavam e terminavam sem que uma palavra fosse entendida. Dizzy Gillespie faria, anos depois, algo parecido, mas já assumidamente dentro do scat singing. Aliás, o próprio Gillespie diria depois que Terry era “o melhor de nós”.

 

 

Há passagens inacreditáveis, como quando Clark Terry abandona a banda do gigante Duke Ellington para tocar com um jovem desconhecido: Quincy Jones. Bem, qualquer fã de música sabe que Jones trabalhou com Deus e o mundo. Poucos, porém, desconfiam que o primeiro professor de música de Quincy Jones foi justamente Clark Terry. Eles permaneceram amigos a vida toda – Clark Terry morreu em 21 de fevereiro de 2015, aos 95 anos.

 

 

E aí está o grande momento do filme, quando o primeiro aluno de Clark Terry encontra o último no palco. O solo de Justin Kauflin diante de Quincy Jones é sublime. Só essa passagem vale o filme inteiro – e ainda há a vantagem de conhecer melhor um gênio do trompete.

 

 

 

 

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