Luciano Leães e o tempero de New Orleans

 

A 7ª edição do Festival Blues de Londrina começa hoje (2 de agosto) reunindo três nomes de destaque do cenário blues/jazz/soul brasileiro: Luciano Leães & The Big Chiefs (RS), Rosa Marya Colin (RJ) e Jefferson Gonçalves (RJ).

 

Luciano leães esteve há pouco tempo em Londrina ao lado da Igor Prado Band no show da americana Anikka Chambers, atração desta quinta (dia 3 de agosto) no Festival. Agora, o pianista volta à cidade com a própria banda para tocar o repertório de seu primeiro disco solo, The Power of love.

 

 

Por telefone, Luciano Leães conversou com a gente. Confira:

 

O show será com o seu primeiro disco autoral, não é?

Isso. Eu lancei (o CD The power of love) em dezembro de 2015, mas na real comecei a trabalhar esse disco no ano passado. Foi um disco muito importante para mim, embora a banda exista desde 2008. Depois que eu lancei, várias coisas legais começaram a acontecer, como as turnês que rolaram em New Orleans.

 

É um novo horizonte para a carreira?

É isso mesmo, muda completamente o foco, tanto na forma que eu tenho de encarar a música como na forma com que as outras pessoas veem também. Falam no fim do disco, mas a questão de existir um disco ainda é muito importante. Quem gosta de música e se interessa pelos artistas que fazem música acha muito legal o disco, porque é como se fosse um livro. É uma história que está ali, um retrato do momento. É muito importante ter um conjunto de obras que contam uma história.

 

 

É uma obra acabada em que as músicas se interligam…

Com certeza, é a ideia por trás da arte do disco, que é feita por uma artista de New Orleans. É uma artista (Monica Kelly) que já fez poster de festival de jazz, é uma figura bem conhecida de lá.

 

O disco teve boa repercussão, inclusive no exterior…

Isso foi muito legal. O primeiro disco gera uma expectativa muito grande. Eu lancei em EP (Extended Play) primeiro, e isso me deu uma garantia de que talvez eu estivesse no caminho certo. Toquei em um festival de jazz de New Orleans, no Festival de Ilhabela e agora tem o Festival de Londrina e de Maringá. Tem sido bem legal a repercussão. Uma coisa muito importante para o músico é estar no palco.

 

 

De uns anos para cá tem ocorrido uma integração maior entre bluesmen brasileiros e americanos. Isso aumentou nossa visibilidade lá fora?

Com certeza, o próprio (guitarrista) Igor Prado é um exemplo. Eu tive a oportunidade de fazer uma turnê com ele nos Estados Unidos e foi muito legal. Eu já tinha percebido a receptividade do pessoal de New Orleans. Mas New Orleans é uma grande mistura de ritmos, e eu achei que eles apreciaram a minha forma de tocar, alguém que aprecia a música deles mas mistura com outras coisas. É legal ver como o pessoal do blues respeita e gosta de ver gente de outros países tocando a música deles.

 

Qual a contribuição que os brasileiros podem dar ao blues?

Antes de mais nada, o mundo inteiro tem respeito pelo músico brasileiro, seja fazendo um blues que soa brasileiro, seja fazendo um blues que soa americano. Na minha última ida para New Orleans, aconteceu uma coisa muito interessante. Tenho alguns ídolos do piano, como Professor Longhair, por exemplo. Eu sempre tocava as músicas dele, mas nunca ficava igual, não era a mesma coisa. Eu achava que era uma limitação. E para eles pareceu uma mistura. Eles gostaram muito do jeito que eu toco. Acaba sendo um diferencial.

 

 

 

 

Como você vê iniciativas como o Festival Blues de Londrina?

Eu sou músico profissional desde os 17 anos, lá se vão 22 anos. Eu sempre toquei blues e sempre vi o blues como algo com momentos altos e baixos. Mas o público sempre está em alta. Tem público de blues aonde quer que você vá. O que muda é a forma como exploram isso, os festivais, as casas de blues. Abriam e fechavam casas, festivais começavam e desapareciam. Mas eu vejo Londrina quase como um polo de blues, assim como Caxias do Sul. E eu vejo que em Londrina há bastante tempo tem um movimento que dura quase o ano inteiro. Eu acho uma iniciativa incrível. É muito importante para os músicos e para manter este estilo vivo.

 

 

 

Como será o novo disco? É autoral também?

Gosto muito de trabalhar com músicas autorais. Eu percebi nas turnês – tanto em New Orleans quanto na Argentina – que o público de fora está interessado em conhecer as músicas autorais. Pode até ser que, no futuro, eu venha a fazer um disco que não é autoral. Não é uma crítica, é uma questão pessoal minha. Acho muito interessante trazer algo novo para a música. Eu gosto de criar, é uma coisa que sempre esteve presente na minha vida desde que aprendi a tocar piano e acho importante colocar isso para fora, é quase uma necessidade.

 

 

Você se interessou pelo blues desde que começou a tocar piano?

Sim, eu comecei com sete anos na casa da minha avó. Eu tinha dois tios que tocavam. Um tocava música erudita de ouvido e o outro estudou mais e sabia ler partitura. Com eles, comecei a brincar de tocar piano, então o piano sempre foi uma coisa lúdica para mim. Na adolescência, comecei a levar um pouco mais a sério, mas sempre foi algo que trouxe prazer. Com 10 ou 11 anos eu já ouvia rock, era daqueles que gostavam dos Rolling Stones e não gostava dos Beatles. Lógico que depois também me apaixonei por Beatles. Mas logo eu descobri o Chuck Berry e, com 12 ou 13 anos, eu adorava o piano do Chuck Berry, que era tocado pelo Johnnie Johnson. Uma vez eu comprei um disco de blues de Johnnie Johnson produzido por Keith Richards, e depois desse disco minha vida mudou. Eu passava as tardes tentando tocar como ele.

 

Você vai tocar alguma música do disco novo em Londrina?

Com certeza, vou tocar várias do disco novo, pelo menos umas seis. Vai ter banda completa e o Vinícius Zanin (do Acústico Blues Trio) vai cantar algumas músicas comigo. A ideia é mesclar o disco com o repertório que eu tenho, gosto de trazer um pouco do que eu toco com o pessoal em New Orleans.

 

 

SERVIÇO

7º Festival Blues de Londrina – Show com Luciano Leães & The Big Chiefs, Rosa Marya e Jefferson Gonçalves. Quarta-feira, dia 2 de agosto, pontualmente às 21h no Bar Valentino (R. Pref. Faria Lima, 486) em Londrina. Os ingressos estão à venda nas lojas 5àSec ou pelo Disk Blues: (43) 3357-1392. Mais informações: www.festivalbluesdelondrina.com.br.

 

7º FESTIVAL BLUES DE LONDRINA – BAR VALENTINO (21h)

QUARTA (2 de agosto)

-Luciano Leães & The Big Chiefs (Porto Alegre)

-Rosa Marya (Rio de Janeiro)

-Jefferson Gonçalves (Rio de Janeiro)

 

QUINTA (3 de agosto)

-Três Tigres Trio (Londrina)

-Allice Tirolla (Londrina)

-Igor Prado Band (São Paulo)

-Annika Chambers (Texas)

 

SEXTA (4 de agosto)

-Victor Biglione (Argentina)

-Tony Gordon (São Paulo)

 

SÁBADO (5 de agosto)

-Acústico Blues Trio (Londrina)

-Kynnie Williams (Rio de Janeiro)

-Aki Kumar (Índia)

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