Annika Chambers e Igor Prado: além das fronteiras

A cantora texana Annika Chambers vem realizando uma interminável saga para difundir sua música pelo mundo. Recentemente, ela esteve na Espanha, Polônia, Hungria, Áustria e Alemanha. De volta ao Brasil, ela se apresenta hoje ao lado da Igor Prado Band no 7º Festival Blues de Londrina.

 

Indicada ao prêmio Koko Taylor do Blues Music Award, Annika representa uma nova geração disposta a cruzar o mundo e tocar ao lado de bandas estrangeiras.

 

Com uma forte presença de palco, ela invoca a tradição vocal da Igreja Batista, conquistando o público com os atributos de uma verdadeira cantora gospel e sua capacidade de celebrar a vida. Há um equilíbrio, porém, entre o lado espiritual e os desígnios da carne, uma vez que a sensualidade do soul contagia todo o gestual. De qualquer forma, os momentos transcendentais, como se fossem cultos, prevalecem e inebriam.

 

“Nós vamos adicionar novas canções ao show! Nosso show terá muita energia, como sempre. E sempre teremos surpresas. Eu acho que os músicos brasileiros são incríveis e supertalentosos. Os brasileiros podem contribuir com um estilo diferente de blues. Adicionar as batidas da percussão brasileira ao blues é brilhante. Igor Prado nos mostrou isso”

diz Annika Chambers à Máquina do Som, em entrevista por WhatsApp.

 

 

Annika reencontra os rapazes da Igor Prado Band, que saíram de São Caetano para rodar o mundo – e acabaram de voltar de uma turnê pela Europa, com direito a uma esticada à Rússia. A banda faz parte da geração que conseguiu levar o blues brasileiro ao exterior, e hoje é respeitadíssima mesmo nos Estados Unidos. A Igor Prado Band conseguiu um feito raro: em 2015 chegou ao primeiro lugar da parada americana da Living Blues Chart com o álbum Way Down South. Foram os primeiros artistas sul-americanos a chegarem lá.

 

 

Confira o bate-papo que tivemos com Igor Prado:

 

Vocês estão voltando ao lado de Annika Chambers. Como será o show?

IGOR PRADO – Ela vai fazer um apanhado com algumas coisas desse último disco que foi indicado ao Blues Music Award, que é o Wild & Free. A gente vai fazer algumas coisas que ela está preparando para o disco novo e vamos arriscar algumas composições próprias, algumas parcerias com ela, também. A gente ainda está fechando algumas coisas, mas isso vai virar um álbum.

 

 

Geralmente o show tem bastante energia…

Sim, ela tem essa pegada da igreja americana, de gospel. É uma mistura de blues com rock e funk. E tem essa energia, como se fosse um culto de Igreja Batista americana. Cativa muito as pessoas, pega muito na veia.

 

Essa parceria de vocês mostra que o blues brasileiro conquistou um espaço lá fora que não tinha…

Ah, sim. Não só nos Estados Unidos, como na Europa, a gente já tem um respeito quase de igual para igual. Acabamos de voltar de uma turnê de 20 dias pela Europa. Tocamos no Hondarribia Blues Festival (Espanha), que é um dos maiores festivais de blues. A banda do James Brown estava lá, completa. The Commitments também estavam lá. Tinha muito artista grande e a gente foi super bem recebido. Fizemos um show com a banda, um show com Little Walker e um show com a Annika. Foi bem legal.

 

 

Por que o músico de blues brasileiro está se destacando lá fora? Qual a característica que desperta a admiração estrangeira?

Talvez pelo suingue da gente. A minha geração conseguiu o respeito deles primeiro por tocar o blues tradicional. Depois desse patamar, a gente está conseguindo trazer um suingue brasileiro para a música deles. Até então a geração anterior à minha era mais blues-rock, com uma influência mais de rock sulista americano… Não sei como explicar isso, mas é algo que já está ocorrendo há alguns anos.

 

Como anda a carreira “solo” da Igor Prado Band?

A gente está tocando mais em eventos maiores. Fizemos há dois meses o Samsung Blues Festival aqui em São Paulo, que foi um evento bem grande. Estamos procurando mais grandes festivais porque a gente está ocupado demais com essas produções, em acompanhar alguns artistas, a gente fez muita coisa fora. Fizemos shows na Croácia, na Alemanha, Áustria, Rússia. Tem muito fã da banda na Rússia, vieram com poster para assinar… É muito legal ver o acolhimento deste circuito. Cheguei hoje de manhã (dia 26/07).

 

 

Como foi essa opção pelo blues? Quando você falou: “É isso que eu quero”?

Isso foi uma coisa muito natural. Desde muito novos, eu e o Yuri (Prado, baterista da banda e irmão de Igor) viemos de uma família com músicos que tocavam choro. Então desde criança eu vi meu pai e meu tio tocando chorinho. Só que meu pai sempre gostou de música americana, também. Junto com o choro tinha umas fitas com Little Richard e Chuck Berry. Minha mãe fala que, desde quando eu tinha fralda, tocava esse tipo de música e eu saía dançando. Às vezes eu roubava o microfone na roda de choro e começava a cantar um Little Richard. Foi uma coisa natural, ninguém forçou. Minha geração, por causa da internet, teve muito contato com músicos americanos e começou a fazer muitas turnês acompanhando esses caras, aqui no Brasil e lá fora. Isso foi um diferencial na nossa carreira. E a gente cresceu no mesmo bairro do colecionador Chico Blues, que tem a maior coleção de blues da América Latina. Isso influenciou muito, porque a gente tinha acesso a material que um adolescente americano não tinha. Conseguimos ouvir, estudar e absorver toda essa escola de blues tradicional quando ainda éramos muito novos. É aquela coisa de estar no lugar certo na hora certa.

 

 

SERVIÇO

7º Festival Blues de Londrina – Show com Três Tigres Trio (Londrina), Allice Tirolla (Londrina), Igor Prado Band (SP) e Annika Chambers (EUA). Quinta-feira, dia 3 de agosto, pontualmente às 21h no Bar Valentino (R. Pref. Faria Lima, 486). Os ingressos estão à venda nas lojas 5àSec ou pelo Disk Blues: (43) 3357-1392. Mais informações: www.festivalbluesdelondrina.com.br.

 

 

 

7º FESTIVAL BLUES DE LONDRINA – BAR VALENTINO (21h)———–

QUARTA (2 de agosto)

-Luciano Leães e Big Chiefs (Porto Alegre)

-Rosa Marya (Rio de Janeiro)

-Jefferson Gonçalves (Rio de Janeiro)

 

QUINTA (3 de agosto)

-Três Tigres Trio (Londrina)

-Allice Tirolla (Londrina)

-Igor Prado Band (São Paulo)

-Annika Chambers (Texas)

 

SEXTA (4 de agosto)

-Victor Biglione (Argentina)

-Tony Gordon (São Paulo)

 

SÁBADO (5 de agosto)

-Acústico Blues Trio (Londrina)

-Kynnie Williams (Rio de Janeiro)

-Aki Kumar (Índia)

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