Tony Gordon: “A minha música é um prêmio na minha vida”

 

A terceira noite do 7º Festival Blues de Londrina reúne dois mestres no palco do Bar Valentino, hoje (3/8) a partir das 21h: Victor Biglione e Tony Gordon.

 

Trazendo a herança dos crooners, cantores que personalizavam um vasto repertório em performances arrasadoras, Tony Gordon é nascido e criado em meio musical. Seu pai, Dave Gordon, nasceu na Guiana e conquistou o Brasil com seu acento caribenho. Casado com Denise Duran, irmã de Dolores, Dave Gordon esteve ao lado de Elis Regina, Tom Jobim e Tim Maia, entre muitos outros.

 

Tony Gordon seguiu os caminhos do pai, homenageando-o, e desenvolveu um apuro especial para a música americana, especialmente o soul, o jazz e o blues. Simpático e apaixonado pelo próprio ofício, o cantor conversou com a gente por telefone.

 

 

Você já veio a Londrina?

TONY GORDON – Já fiz trabalhos em Londrina, sim, só não me recordo as circunstâncias. Mas já fui umas duas ou três vezes a Londrina. Em umas duas vezes, fiz eventos corporativos. E uma terceira vez foi uma casa noturna, se não me engano, mas faz muito tempo.

 

Como está a expectativa para o festival?

Maravilhosa, a gente está muito feliz de participar do festival e levar nossa música adiante. A gente quer realmente tocar para outras pessoas. Passamos o dia inteiro ensaiando para o festival de vocês, estamos respirando cada trecho das músicas para fazer uma coisa especial. E tem surpresas: a (cantora londrinense) Elaine Fiora vai cantar uma música comigo. Eu tenho 31 anos de carreira, mas não tenho um disco gravado. Eu sempre acreditei muito na música ao vivo, no calor da música ao vivo. Eu não digo que o disco não transmita isso, mas tocar ao vivo é outra história. É emocionante. É uma coisa em que no dia de amanhã é totalmente diferente do dia de hoje. Ainda mais em se tratando de jazz, é o improviso. Isso é muito gratificante.

 

 

E com um repertório fantástico…

É engraçado… Cauby Peixoto dizia: “Tenha no seu repertório 100 músicas. Toque a primeira, faça uma leitura do público, e tudo dá certo”. A gente tem um repertório enorme e na maioria das vezes nem sabemos qual será a segunda música, porque tem essa coisa da leitura do público. Dentro do que você tem para oferecer, você oferece o seu melhor. Para a gente que toca todo dia, tem o setlist, mas temos a liberdade de escolha, no momento, e isso é muito legal porque torna um show diferente do outro.

 

 

Você nasceu em berço musical…

A mesa do almoço, até hoje, é toda de cantores. Os meus filhos seguiram para a música, também. A nossa mama (Denise Duran, irmã de Dolores Duran), nossa grande influência, é cantora. Aí vem a minha irmã (Izzy Gordon), meu falecido pai (Dave Gordon), filho (William Gordon, da banda Jamz)… Tudo em volta. Não são músicos. São cantores. Tem uma cobrança automática no nosso dia a dia. E a gente agradece muito porque tocar a vida cantando é uma coisa muito gratificante. A minha música é um prêmio na minha vida. E tem a família, a gente fala a mesma língua, volta para casa conversando sobre como foi o show com a visão de quem canta. Sempre tive muito a liberdade de conversar com pai, mãe, irmão, irmã com a linguagem de um cantor.

 

 

Como você vê as novas gerações de cantores?

A gente estava falando agora do Prêmio da Música Brasileira, e tem tanta coisa boa acontecendo… O Rael, um rapper, ganhar um prêmio de melhor cantor, eu acho ótimo. A gente não fala de canto, a gente fala a informação da letra, do sentimento. Tem o Criolo, que é um cara espetacular. Tem uma engrenagem de coisa ruim, mas deu uma volta e a gente está colhendo algumas coisas boas. Plantaram há uns 10 ou 15 anos e agora a gente está colhendo uma safra boa de músicos e artistas jovens que não querem só fazer sucesso. Eles têm conteúdo. Eles querem passar informação e têm muita coisa boa para oferecer.

 

 

Você vem com qual formação?

Vou com o André Freitas (piano), ele tem uma visão de jazz muito incrível, e é jovem. É muito legal ver essa molecada tocando jazz. Tem a influência do professor, com o jazz tradicional, mas tem a linguagem de jovem. O André, o Miguel Assis (bateria) e o Israel Lúcio (contrabaixo) são músicos que, quando estão tocando, saem do corpo. Eu saio do corpo. Eu tenho essa necessidade. Eu os considero artistas, mesmo. São muito bons, são surpresas na minha vida.

 

 

Qual a memória mais antiga que você tem em relação à música?

Eu tenho uma coisa muito antiga da música. Uma música da década de 30 que não tem nenhum melisma, o cantor era aceito no consumo diário como um cantor reto, um cantor afinado, com um timbre de voz bonito. Meus cantores prediletos são cantores que as pessoas não conhecem, como Matt Monro… Antigos, mesmo. E a música negra é como uma válvula de escape para o sofrimento. Eu tenho muito isso também. Quando a gente entende a letra, a gente pensa: “Cara, olha o que essa turma sentia no trabalho ao pensar em tal coisa”… A gente tem muito sentimento, então essa coisa de sair do corpo é uma coisa do jazz.

 

 

 

SERVIÇO

7º Festival Blues de Londrina – Show com Victor Biglione (Argentina) e Tony Gordon (São Paulo). Sexta-feira, dia 4 de agosto, pontualmente às 21h no Bar Valentino (R. Pref. Faria Lima, 486). Os ingressos estão à venda nas lojas 5àSec ou pelo Disk Blues: (43) 3357-1392. Mais informações: www.festivalbluesdelondrina.com.br.

 

7º FESTIVAL BLUES DE LONDRINA – BAR VALENTINO (21h)———–

 

SEXTA (4 de agosto)

-Victor Biglione (Argentina)

-Tony Gordon (São Paulo)

 

SÁBADO (5 de agosto)

-Acústico Blues Trio (Londrina)

-Kynnie Williams (Rio de Janeiro)

-Aki Kumar (Índia)

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