Som D’Luna: embarque Nesse Trem

Som D’Luna por Pablo Lacerda/Divulgação

Um trem de partida para qualquer lugar que seja bom, movido a romantismo, cujos trilhos estão assentados na música popular brasileira e seus ritmos fartos, emblemáticos, temperados com o groove pop.

 

O duo Som D’Luna, formado pelos gêmeos Vitor e Diogo Luna, está lançando o CD Nesse Trem, gravado de forma independente a partir de um financiamento coletivo em João Pessoa, terra natal da dupla.

 

São 11 composições próprias com apuro instrumental, arranjos vigorosos com levadas deliciosas, que retratam o amor, mas também as possibilidades de quem encara os dias com equilibrado otimismo.

 

Percebe-se o cuidado na concepção do álbum, cheio de detalhes e minuciosamente trabalhado. Ainda assim, o resultado é leve como há tempos não se ouvia na MPB – e a leveza, aqui está distante da futilidade.

 

Por e-mail, Vitor e Diogo Luna conversaram com a Máquina do Som.

 

Quando se fala em gêmeos, a gente já imagina uma conexão muito forte, em que um sabe exatamente como complementar o trabalho do outro. É o que ocorre na prática da composição e da produção? Há essa convergência de ideias?

VITOR – Isso realmente é muito forte entre nós. Raramente começamos uma composição juntos e mais raro ainda é não terminarmos uma composição juntos. Temos essa parceria que é muito natural. Nos consultamos e nos complementamos muito durante o processo criativo que acontecesse sem muitas regras, sem uma ordem fixa, posso começar uma letra e ele uma harmonia ou ao contrário. Em relação aos arranjos e às concepções visuais ou artísticas do trabalho, gostamos de estar sempre juntos, criando, conversando e tocando no mesmo espaço do começo ao fim.

 

 

Como é o processo de criação? Como vocês selecionaram as faixas para o álbum? Ficou muita coisa de fora? As músicas foram compostas para o disco ou pertencem a diferentes épocas?

DIOGO – Nosso processo de composição não tem regras. Compomos às vezes baseados numa harmonia ou melodia que criamos e deixamos guardada no celular por um bom tempo, só depois isso ganha letra. Vitor é de escrever mais textos que eu pra começar. O fato é que a canção surge quase sempre por parte de um e o outro se chega depois pra completar. Mas já sentamos pra escrever tudo do zero juntos. Não há um passo a passo.

As músicas do disco foram escolhidas por temática e por estilo. Vimos que algumas músicas nossas pendiam para o assunto do buscar, do correr atrás daquilo que se quer, de amores que fazem a vida um lugar melhor. Aliado a isso queríamos um disco otimista e que passasse isso nas texturas, nas levadas, nos arranjos. Tem sambas no disco, músicas com elementos de funk e soul, canções mais influenciadas pela nossa raiz nordestina, baladas. Todas com seus universos particulares, mas esperançosas no jeito de olhar a vida.

Ficaram várias músicas de fora, algumas inclusive que compusemos durante o processo de pré-produção. Não fizemos músicas pensando no álbum. Foi uma grande coletânea de composições que unimos por temáticas, porque achamos propícias para estarem juntas naquele recorte.

 

Capa do CD/Pablo Lacerda/Divulgação

 

O disco surgiu de um financiamento coletivo fora do eixo Rio-São Paulo. Pode-se dizer que a tecnologia democratizou o acesso à criação e produção cultural?

VITOR – Totalmente! A oportunidade que todos os artista de qualquer segmento tem hoje de estarem próximos do seu público desde o começo de um projeto é na verdade o que nos faz ter ânimo pra seguir. Um apoio como esse que recebemos durante a campanha de financiamento do disco só é possível graças às ramificações que a tecnologia nos proporcionou.

 

 

Quando se fala de um disco composto e produzido em João Pessoa, há a expectativa de uma produção regionalizada. Não é o que ocorre no disco, bastante cosmopolita. Quais as influências musicais da dupla?

DIOGO – Sim, sempre se pensa em uma produção regionalizada, inclusive pelas pessoas da própria terra. Algumas coisas são direcionadas a isso inclusive, à defesa da música nordestina. Não temos isso. Amamos nossa terra, nos sentimos felizes por fazer parte de um momento efervescente da música paraibana, mas fazemos música sem pensar nisso. Tentamos sempre entregar um trabalho apaixonado e essa é uma das poucas bandeiras que levantamos.

Somos influenciados por muita gente. Começando por Zé Ramalho, que nosso pai sempre foi fã e colocava pra tocar em casa o tempo todo. João Bosco, Lenine, Djavan, Ed Motta são todos grandes nomes que nos fizeram chegar a decisão da música. E somos apaixonados por jazz, soul, funk, black music de maneira geral. George Benson, Stevie Wonder e Pat Metheny, são nomes que falamos praticamente todos os dias.

 

Som D’Luna por Pablo Lacerda

 

O que vocês acham do termo “nova MPB”? Há realmente uma renovação no cenário?

VITOR – Esse termo já se enraizou pra designar um gênero musical, embora já tenha um tempo que o estilo a que se propõe a MPB não descreve de fato o que é realmente mais ouvido no país. E falo isso sem ver problema nenhum! De toda forma, como já temos esse termo e ele é de tão fácil assimilação por todos, não há problema em chamar de nova MPB.

Acredito que a renovação da MPB acontece sempre que alguém acorda disposto a alimentar o estilo ou a cena da sua cidade, vejo a palavra renovação sempre muito ligada a isso: caras novas, energias novas chegando pra somar o que nossos professores nos deixaram e ainda deixam.

 

DISCO: NESSE TREM, do Som D’Luna

Gravação independente.

Distribuição: OneRPM

 

 

 

 

 

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