A maratona do diálogo

Foto: Ranulfo Pedreiro

A primeira etapa da IV Maratona Flauta & Fole, realizada nos dias 2, 3 e 4 de novembro, foi um encontro peculiar. Talvez por se tratar de uma maratona sem competidores. Talvez por oferecer a alunos de diferentes níveis o mesmo respeito dedicado aos professores. Talvez por superar as diferenças com música e educação.

Em tempos de intolerância e radicalismos, a Maratona é um exemplo de convivência. Sim, todos têm suas singularidades, e elas foram respeitadas para que o convívio alcançasse o bem comum. Dessa forma, pais, filhos e professores passaram três dias e duas noites imersos em um ambiente voltado à arte e ao aprendizado.

Foram dias tão intensos e exaustivos quanto emocionantes e prazerosos. O cenário proporcionado pelo Seminário Paulo VI contribuiu com árvores, flores, espaço ao ar livre e funcionários dedicados. Ah, e um simpático cachorrinho. Fã de flautas e foles, Scooby ganhou muitos amigos.

 

As gentilezas se multiplicaram com o respeito mútuo, ilustradas por sorrisos e gestos carinhosos. A harmonia foi estabelecida pelo reinado da música e a democracia de ensino: todos os alunos passaram por todos os professores. Diferentes formações apresentaram-se em um sarau e um concerto de marejar os olhos.

Foto: Ranulfo Pedreiro

Shinichi Suzuki, criador do método Suzuki, partiu de um princípio simples: se uma criança tem a capacidade de aprender uma língua tão complexa quanto o japonês, ela pode aprender música com desenvoltura, caso o mesmo método – inspirado na língua materna e trazendo o ensino musical para o cotidiano – for aplicado. O afeto torna-se elemento primordial junto à disciplina, dedicação e diálogo.

 

Coordenada por Luciana Schmidt (flauta doce) e Miguel Santos (acordeom), a primeira etapa da Maratona teve patrocínio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, foi gratuita e contou com os professores Gabriel Levy (acordeom), Renata Pereira (flauta doce), Helenice Scapol Villar Rosa (flauta doce) e Milena Villar Rosa (flauta doce). Reuniu gente de São Paulo, Santa Catarina e Paraná.

 

Em muitos casos, o desenvolvimento do aluno fhttps://youtu.be/TIJAJl_W_Iooi perceptível de um período do dia para outro. Com a dedicação intensa, os instrumentos soaram melhores, a técnica foi aprimorada e limitações superadas.

Foto: Ranulfo Pedreiro

Nos intervalos, valia correr pelos pátios do seminário ou simplesmente jogar futebol. O grupo Fio da Meada contou histórias intrigantes e o Cantart colocou todo mundo para dançar no jardim. O Camerata Café deslocou um cravo, cuidadosamente afinado, para a Capela, e foi fundamental para o concerto de encerramento, ainda vivo na lembrança de quem assistiu.

Pelo menos duas contrapartidas envolvem a comunidade londrinense, além das próprias aulas e concertos. A primeira, foi uma campanha para doação de brinquedos e livros para hospitais da cidade. A segunda, foram três apresentações realizadas por alunos e professores no Hospital do Câncer, Hospital Infantil e Hospital Evangélico.

 

A música ajudou a amenizar a dor e, ao mesmo tempo, apresentou às crianças outras realidades.

 

A Maratona não foi competitiva, mas teve ilustres vencedores: todos.

 

As emoções já estão reservadas para a segunda etapa, voltada às apresentações, no início de 2019. Até lá.

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